O manguito rotador é um conjunto de quatro músculos e seus tendões que envolvem a cabeça do úmero como uma luva: supraespinal, infraespinal, redondo menor e subescapular. Eles mantêm o ombro centrado na articulação e permitem levantar e girar o braço. Quando esses tendões se desgastam ou rompem, surgem dor e perda de força.
Como a lesão acontece
- Desgaste com o tempo: é a causa mais comum. Os tendões perdem resistência com a idade, e rupturas são frequentes depois dos 50 ou 60 anos, muitas vezes sem um trauma específico.
- Sobrecarga repetitiva: trabalhos e esportes com o braço acima da cabeça aumentam o risco.
- Trauma: uma queda sobre o braço ou um esforço brusco pode romper um tendão, inclusive em pessoas mais jovens.
As lesões vão de uma tendinopatia, quando o tendão está inflamado ou degenerado, até rupturas parciais e completas.
Sintomas
- Dor na parte lateral do ombro, que pode descer pelo braço
- Dor à noite, principalmente ao deitar sobre o lado afetado
- Dor ou dificuldade para levantar o braço, pentear o cabelo ou alcançar objetos no alto
- Fraqueza para erguer ou girar o braço
Algumas rupturas não causam sintomas importantes. Por isso o exame de imagem sozinho não define o tratamento: ele precisa ser interpretado junto com a consulta.
Diagnóstico
O exame físico avalia a força de cada tendão e os movimentos que provocam dor. O ultrassom e a ressonância magnética confirmam o tipo, o tamanho da lesão e a qualidade do músculo, informações importantes para escolher o tratamento.
Tratamento sem cirurgia
Nem toda lesão do manguito precisa de cirurgia. Tendinopatias, rupturas parciais e muitas rupturas degenerativas em pessoas menos ativas costumam melhorar com fisioterapia focada em fortalecimento e controle do movimento, medicação para dor e ajuste das atividades. Em casos selecionados, a infiltração guiada por ultrassom pode ajudar no controle da dor durante a reabilitação. O ácido hialurônico tem sido usado nessas situações como alternativa ao corticoide, com estudos recentes mostrando melhora dos sintomas sem prejudicar a qualidade do tendão.
Quando a cirurgia é indicada
A cirurgia costuma ser considerada em rupturas causadas por trauma em pacientes ativos, em rupturas que aumentam de tamanho, e quando a dor e a perda de força não melhoram após um período adequado de tratamento. Na maioria dos casos o reparo é feito por artroscopia, com pequenos cortes e uma câmera.
Algumas rupturas aumentam com o tempo, e o músculo pode perder qualidade, o que torna o reparo mais difícil. Por isso, mesmo quando se opta por tratar sem cirurgia, o acompanhamento com o ortopedista é importante.
Como é a recuperação após o reparo
Depois da cirurgia, o braço fica protegido em uma tipoia por algumas semanas, e a fisioterapia começa de forma gradual. O retorno às atividades do dia a dia acontece ao longo dos primeiros meses, e a recuperação completa da força pode levar de seis meses a um ano. Os prazos variam conforme o tamanho da lesão, a idade e as atividades de cada paciente.
Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da avaliação individual de cada paciente.